20.2.15

A Mulher Lésbica no Mercado de Trabalho



Apesar dos inúmeros direitos trabalhistas conquistados ao longo dos anos, as estatísticas mostram que esses direitos não abrangem igualmente homens e mulheres.

Um estudo realizado pelo IBGE demonstrou que mesmo com a grande participação feminina  no mercado de trabalho, as diferenças salariais ainda persistem, ainda que  mais capacitadas para os cargos oferecidos, as mulheres recebem menos devido ao seu gênero, e a situação ainda piora quando essas mulheres são negras.

A comunidade lésbica como sempre é invisibilizada, até mesmo nas estatísticas, então não existem fontes para compararmos sua ascensão no mercado de trabalho, porém sabemos que só pelo fato de ser mulher, o mercado de trabalho já irá tratá-la de maneira desigual em relação ao homem, e quando esta mulher assume-se lésbica estará automaticamente exposta a lesbofobia somada ao assédio sexual devido ao seu gênero e a erotização em relação aos relacionamentos lésbicos. 

Por outro lado existem as lésbicas negras e àquelas que não correspondem aos padrões de gênero se vestindo de maneira considerada masculina, consequentemente vistas como indesejáveis ao fetiche masculino, mas nem por isso deixam de sofrer com o assédio, afinal de contas o imaginário machista define que a mulher “mais masculina” é assim porque nunca ficou com um cara que a fizesse gostar de homem, e a mulher negra é subcategoria (exótica, fogosa, serve para dar uma pegada, mas não para namorar e assumir perante a família e sociedade).

A somatória de dyke + negra, já é pré requisito para a reprovação em qualquer entrevista de emprego, por mais qualificada que esta mulher seja geralmente a elas estão reservados os subempregos onde irão ter de enfrentar a lesbofobia e o assedio descrito acima, não que empregos considerados melhores elas não sofreriam este tipo de opressão, mas chegar nestes tais empregos para estas mulheres pode estar muito distante da realidade, devido aos padrões preconceituosos de contratação.

Apesar da grande capacidade intelectual, mulheres lésbicas são facilmente substituídas por um homem, primeiramente por duvidarem de sua aptidão para liderança e domínio técnico e prático em diversas áreas pelo simples fato de serem mulheres, e em conjunto por se atraírem sexualmente por outras mulheres, mesmo isso não afetando no seu rendimento laboral.

A lesbofobia afeta negativamente milhares de mulheres que amam mulheres pelo mundo, além de negar-lhes direitos básicos, ainda às expõe a todo o tipo de violência relacionada a gênero e sexualidade, agravando-se ainda mais quando se trata de uma lésbica negra e/ou não tão feminina como padroniza a sociedade.

Para mudar esse triste cenário para mulheres lésbicas no mercado de trabalho é necessário que haja mudanças no poder e conhecimento da sociedade atrelados ao empoderamento dessas mulheres, e ainda mais importante a implementação de políticas públicas e sociais que assegurem de fato a igualdade entre gênero, cor,classe e sexualidade.


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3 comentários :

  1. Muito enriquecedor seu texto. Acho muito importante falar desses assuntos considerados tabu.

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  2. Infelizmente esse ainda e o cenário, o preconceito com as mulheres no geral é muito presente.

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  3. Ser mulher lésbica no mercado de trabalho é extremamente complicado,mas não podemos abaixar nossas cabeças meninas.Nossa capacidade intelectual e nossa luta nos farão crescer cada dia mais!

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