13.2.15

A Naturalização do Machismo no Carnaval




Em pesquisa realizada em dezembro de 2014 pelo Instituto Avon/Data Popular, foi evidenciado que 96% dos jovens reconhecem que existe machismo no Brasil, sendo que 49% dos homens e 53% das mulheres aprovam a naturalização dos valores machistas na cultura, já 78% das entrevistadas revelaram que já foram assediadas em local público.

Infelizmente esse assédio, se repete durante todos os dias na vida das mulheres, e se intensifica ainda mais no carnaval, em que os homens sentem-se no direito de liberar ainda mais seu machismo, promovendo rodinhas masculinas que obrigam e forçam as mulheres a beijá-los, puxam cabelos, braços e roupas forçando uma paquera, passam a mão no corpo de mulheres sem seu consentimento, sabotagem de bebida, dentre inúmeros abusos.

Esse tipo de comportamento é naturalizado pela sociedade, já que na lógica machista a mulher que sai de casa para curtir uma festa regada a bebedeira, musica e diversão, não está se dando ao respeito, logo se ela é desrespeitada, beijada a força, violentada, a culpa automaticamente recairá sobre ela, conforme nos alertou a Campanha “Bebeu Perdeu” do Ministério Público.

Vale ressaltar que não só as mulheres heterossexuais estão expostas a esse tipo de violência durante o carnaval e na vida, lésbicas sofrem opressão dupla (machismo+homofobia), e ao contrario do que ocorre com casais heterossexuais durante a folia, em que os homens sentem-se intimidados em cometer abusos quando uma mulher esta com um ao lado, mulheres lésbicas não contam com esta “proteção”, visto que seus relacionamentos são invalidados e tidos como objeto de fetiche para a grande maioria masculina, o que faz com que o assédio se agrave ainda mais, como no caso do estupro corretivo.

É importante saber identificar o limite entre a paquera e o abuso, e denunciá-lo sem medo quando o mesmo ocorrer. O beijo forçado está enquadrado no artigo 213 do Código Penal Brasileiro, assim como o estupro, e quem for pego praticando o crime pode ficar até 10 anos na cadeia, então não há o porquê naturalizar este e outros tipos de violência. Denuncie!




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