23.2.15

Oscar 2015 - Um Verdadeiro Show de Representação Feminista


Em meio à temporada de premiações de Hollywood, que terminou neste domingo 22, com o Oscar, atrizes famosas têm levantado a voz contra o machismo da mídia e da indústria.

Atrizes como Cate Blanchett, Julianne Moore e Emma Stone vinham se recusando a apenas exibir seu "visual" nos tapetes vermelhos, alegando que, enquanto seus colegas homens recebem perguntas relacionadas a carreiras e papéis nos filmes, para elas, sobram questões sobre vestidos, penteados e dietas.

A campanha com o slogan #AskHerMore ("pergunte mais a ela") foi encampada pela atriz Reese Witherspoon, que concorreu ao Oscar de melhor atriz, e pela comediante Amy Poehler, apresentadora da última edição do Globo de Ouro e estrela do seriado Parks and Recreation.

Horas antes da cerimônia, nas redes sociais, Witherspoon falou sobre a campanha, que foi usada em eventos recentes para estimular os repórteres a perguntarem às atrizes sobre seu trabalho.

"Há tantas indicadas incríveis e talentosas neste ano! Vamos ouvir suas histórias! Espalhem a idéia", disse.

Na noite de premiação foi revelado sem nenhuma surpresa o prêmio de Melhor atriz coadjuvante, para Patrícia Arquette, pela interpretação brilhante no filme “Boyhood”.Ao receber o prêmio,Arquette fez um discurso empoderador e feminista,pedindo que as mulheres fossem tratadas da mesma forma que os homens e tivessem os mesmos direitos,principalmente no que diz respeito aos salários.

Assim como ocorre em todo o mercado de trabalho pelo mundo, em Hollywood as mulheres ainda ganham bem menos que os homens por suas atuações. . A lista dos astros mais bem pagos, organizada pela revista Forbes no ano passado, indicou a disparidade entre homens e mulheres em Hollywood, com uma diferença de quase US$ 200 milhões de dólares na soma dos lucros dos 10 mais bem pagos da lista feminina em relação à masculina.

 “É a nossa vez de ter direitos salariais iguais, de uma vez por todas, para as mulheres nos Estados Unidos da América”.

Meryl Streep, que disputava o prêmio com Patrícia, se empolgou com o discurso e apoiou de maneira empolgante as palavras da vencedora do prêmio, quase saltando da cadeira, num dos melhores momentos da premiação.





O discurso de Arquette reflete a triste realidade da Premiação do Oscar,que tem um grave problema de representação.A escassez de mulheres e negros entre os indicados mostram que a premiação ainda é um campo hostil para as minorias. Em artigo publicado em 2012, O Los Angeles Times revelou que 94% dos votantes no Oscar são brancos, 77% são homens e apenas 14% possuem menos de 50 anos.

Dos indicados na categoria de Melhor Filme, nenhuma traz mulheres como principal. Filmes como Grandes Olhos, que narra a história da pintora Margaret Keane, e  Livre, ambos com temática centrada em suas personagens fortes e femininas,foram esquecidos pelos jurados.Para se ter uma noção,o último longa metragem com uma mulher como destaque a vencer o prêmio máximo da noite foi o Menina De Ouro, em 2005.

A falta de representatividade das mulheres entre os filmes indicados chama mais atenção ao considerar que o sucesso da premiação depende cada vez mais de suas espectadoras. Segundo a empresa de pesquisa Nielsen, cerca de 61% da audiência televisiva do Oscar 2014, a edição mais vista desde 2000, foi de mulheres.

Acontecimentos como os de ontem na cerimônia do Oscar são extremamente importantes, pois discursos como os de Patrícia Arquette empoderam mulheres ao redor do mundo, fazem com que elas se sintam representadas num momento em que o mundo esta voltado para uma premiação tão importante como esta. Nesta premiação as “mulheres comuns” tiveram voz.


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2 comentários :

  1. E com a letidão em que as mudanças acontecem, só em um futuro bem distante mulheres africanas e do oriente por exemplo teriam os mesmos direitos que os homens ou até mesmo o simples direito de frequentar uma escola.

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    1. As conquistas chegam lentamente,por isso a luta e representatividade se faz necessária e urgente,não é mesmo Vanda!?

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