8.2.15

Vamos falar de coisa séria?Vamos falar de DST/AIDS !




De acordo com as pesquisas realizadas pelo “Boletim Epidemiológico – 2013”, do Ministério da Saúde", os casos de AIDS entre os homens ainda é maior do que entre mulheres, no entanto, esta diferença vem diminuindo. Esse aumento proporcional do número de casos da doença entre mulheres pode ser observado pela razão de sexos (número de casos em homens dividido pelo número de casos em mulheres), assim sendo, em 1989 a razão de sexos era de cerca de 6 casos de AIDS no sexo masculino para cada 1 caso no sexo feminino; Já em 2011, último dado disponível, chegou a 1,7 caso em homens para cada 1 em mulheres.

O mais preocupante é que quando se trata de mulheres lésbicas e bissexuais essa situação se agrava ainda mais, porque a maior parte dessas mulheres não são prevencionistas, no que concerne a relações sexuais, pois, existe uma invisibilização das mulheres lésbicas que reforça ainda mais a ideia de que elas não estão sujeitas a transmissão de DST/AIDS, acreditando não ser  preciso buscar orientações a respeito de tal problemática.

No entanto, deve-se considerar que essa crença na proteção às DST/AIDS também esta ligada a lógica errônea de que o sexo entre mulheres não é sexo por supostamente não ter penetração e em decorrência disso não ter ‘’tecnicamente’’ o risco de contaminação, e, para piorar, pouquíssimo é o material de divulgação para que as mulheres se conscientizem a respeito, gerando, por consequência, a falta de orientação e preocupação por parte delas.

Mas o erro não para por aqui! Afinal, quem tem a obrigação de alertar e prevenir as DSTS consideram que mulheres lésbicas não têm “comportamento de risco”. Além da falta de divulgação e materiais focados ao público LBT (lésbicas, bissexuais, transexuais), seja para os profissionais da saúde ou para o público em geral, ainda sofremos com um atendimento preventivo extremamente limitado, pois, o atendimento preventivo padrão existente não leva em conta sequer a possibilidade de nos relacionarmos com mulheres. E se saímos desse padrão (tendo relações não-monogâmicas ou não-estáveis com apenas um homem) somos automaticamente classificadas em um tal grupo de risco onde a maioria dos materiais de divulgação coloca como quase certa a possibilidade de contrairmos alguma doença, mas não inclui métodos específicos e eficazes para a prevenção de DST/AIDS para mulheres que mantém relações sexuais com outras mulheres.

Infelizmente, projetos de divulgação de material de prevenção de AIDS e DSTs ao público lésbico não avançam por conta do preconceito com este público, bem como,  o esforço contrário à divulgação desse tipo de material por grupos religiosos e conservadores. Não é fácil encontrar materiais informativos na internet (mesmo nos portais do ministério da saúde ou da OMS) ou nos postos de saúde.


“Quando se fala de lésbicas ou de mulheres bissexuais, percebe-se que essa parcela da população fica totalmente invisibilizada. Existe um processo de invisibilização da sexualidade da mulher, que a torna mais vulnerável em relação a suas práticas sexuais”, explica Marcelle Esteves, vice-presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, do Rio de Janeiro.


Com a proximidade do Carnaval, as Campanhas sobre DST/AIDS começam a aparecer na mídia, e como sempre o grupo LGBTT não é contemplado corretamente, por esse motivo, o DoMiNiO PeSsOaL gostaria de dividir com vocês uma série de postagens  sobre o assunto até o dia 17 de fevereiro que é quando se encerra o Carnaval. O objetivo não se restringe a dar visibilidade as mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais, mas a esclarecer dúvidas, apresentando informações sobre prevenção, diagnostico e possíveis tratamentos dos casos de DST/AIDS que atingem tal público indiscriminadamente.

Ps. Para encerrar a série de postagens sobre o Programa Vamos Falar de Coisa Séria, teremos uma entrevista com a Dra. Julia Rocha, em que serão esclarecidas dúvidas sobre o tema DST/AIDS no sexo lésbico/bissexual. As perguntas que irão compor a entrevista serão escolhidas dentre as que as leitoras enviarem ao Domínio Pessoal. As perguntas poderão ser enviadas pelo “Pergunta-me” aqui mesmo em nossa página, ou por email.


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