8.2.15

Vamos falar de coisa séria?Vamos falar de Clamídia !



A Clamídia é a doença sexualmente transmissível (DST) de maior prevalência no mundo. Um estudo nacional revelou que 9,8% das jovens entre 15 e 24 anos atendidas em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) foram diagnosticadas com infecção por clamídia e 4% delas também tiveram resultado positivo para gonorreia. O estudo foi feito pelo Centro de Referência e Treinamento em CRT/DST-AIDS, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e abrangeu 2.071 jovens, das cinco regiões do país.


Transmissão


Existem duas maneiras para se transmitir a doença: pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebê pelo canal vaginal na hora do parto. Assim como na gonorréia, nos adultos e adolescentes a transmissão é exclusivamente por via sexual. Não se pega clamídia em banheiros ou piscinas públicas. O beijo também não é uma forma de transmissão da clamídia.

A transmissão através de toalhas ou roupas íntimas ainda não foi comprovada, mas ela é teoricamente possível caso haja contato com secreções contaminadas frescas. Por exemplo, se uma mulher com corrimento vaginal contamina uma toalha e outra pessoa imediatamente a usa para secar suas partes íntimas, é possível haver transmissão. Isso, porém, é uma situação muito hipotética, e o que se observa na prática é a via sexual como única forma relevante de transmissão desta DST entre adultos. A contaminação dos olhos pela clamídia pode ocorrer se as mãos estiverem contaminadas com secreções vaginais e o indivíduo coçar os olhos sem lavá-las antes.


Sintomas


A maioria dos pacientes que se contaminam com clamídia não apresenta sinais da doença. Nas mulheres apenas 10% desenvolvem sintomas. Entretanto, é bom destacar que mesmo sem sintomas, é possível transmitir a doença para sua(s) parceira(s).

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, os mesmos costumam surgir entre 1 e 3 semanas após a contaminação.

Nas mulheres, os principais sintomas da clamídia são:

  • Corrimento vaginal
  • Sangramento vaginal.
  • Dor abdominal.
  • Dor durante o sexo.
  • Ardência ou dor ao urinar


Complicações


As complicações da infecção pela Clamídia costumam ocorrer nas pessoas com pouco ou nenhum sintoma, que por isso mesmo, acabam não procurando tratamento médico.

A principal complicação da infecção por clamídia nas mulheres é progressão da bactéria em direção ao útero, trompas e ovários, provocando uma grave infecção conhecida como doença inflamatória pélvica (DIP). Cerca de 10 a 15% das mulheres infectadas com a Chlamydiatrachomatis desenvolvem DIP.

Infertilidade também é uma complicação comum da clamídia não tratada e ocorre por lesão das trompas e/ou do útero por infecção prolongada.

As mulheres com infecção por clamídia (especialmente a causada por sorotipo G) apresentam 6 vezes mais riscos para o desenvolvimento de câncer do colo do útero.


Diagnóstico


Para se diagnosticar a doença é necessário solicitar ao seu ginecologista os exames necessários, mesmo que não apresente sintomas da doença, pois como já citado aqui, a doença costuma ser silenciosa na maioria dos casos.

A clamídia pode ser diagnosticada por exame de urina, de sangue e de secreção da região genital. Exames que detectam a clamídia também podem detectar a gonorréia, outra DST causada por bactéria, e a presença do vírus HPV. 


Prevenção


Como a clamídia é uma bactéria que provoca DST, a prevenção desta infecção é feita essencialmente pela luta das doenças venéreas.


·         Não tenha relações sexuais caso seu parceiro apresente secreções anormais, queimação ao urinar ou erupções cutâneas ou ulceras genitais;


·         Esfregar a vulva na parte da parceira onde não há possibilidade de troca de fluidos corporais;


·         Caso utilize brinquedos sexuais ou consolos utilizar a camisinha;


·         Caso compartilhe da brincadeira com a parceira, utilizando consolos, trocar sempre a camisinha;


·         Nunca penetrar a vagina e o ânus com a mesma camisinha, é necessário trocar;


·         Utilizar luva cirúrgica, camisinha masculina ou dedeira na penetração para proteger dedos e mãos;


·         Visite regulamente um ginecologista e solicite o exame para o diagnóstico da doença.



Tratamento


Por ser causada por uma bactéria, o tratamento de clamídia é feito à base de antibióticos. O médico dirá por quanto tempo você deve tomar o medicamento e quantas vezes ao dia.

Se você tem clamídia, sua parceira também deve realizar os exames para diagnosticar a doença e, se der positivo, o tratamento ministrado será o mesmo – mesmo que ela não tenha manifestado quaisquer sintomas. O tratamento de clamídia não garante imunidade para a doença. Ou seja, se não houver o devido cuidado, ela pode retornar.



Ps. Para encerrar a série de postagens sobre o Programa Vamos Falar de Coisa Séria, teremos uma entrevista com a Dra. Julia Rocha, em que serão esclarecidas dúvidas sobre o tema DST/AIDS no sexo lésbico/bissexual. As perguntas que irão compor a entrevista serão escolhidas dentre as que as leitoras enviarem ao Domínio Pessoal. As perguntas poderão ser enviadas pelo “Pergunta-me” aqui mesmo em nossa página, ou por email.


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