31.3.15

O Hip Hop Empoderado de MC Luana Hansen


A MC de Pirituba nasceu no centro de São Paulo, a mais velha das mulheres de sua casa, filha de mãe solteira “nas dificuldades da vida”, sem ter o nome do pai no registro. “Vi minha mãe fazer tudo do bom e do melhor pra tentar ajudar a gente, ralar mesmo pra nos criar, e foi isso que talvez me fez querer ser uma mulher independente”, conta.

Luana participa do movimento hip hop há 10 anos e já foi membro de “A Força”  – que teve como “padrinho” Sandrão, do grupo RZO – em 2003, composto por cinco homens e duas mulheres. No mesmo período, participou do grupo A-TAL, liderado só por mulheres.

Após se desvincular do A-TAL Hansen participou do documentário “4 Minas”, escrito e dirigido por Elisa Gargiulo, que acompanha a vida de quatro jovens lésbicas de São Paulo. “Tive coragem de trabalhar solo, coragem de expor minha vida. Quando eu trabalhei com a Elisa no ‘4 Minas’ tive como me expor, gravar sem receio”, conta.

Isso porque Luana já foi alvo de machismo por parte de outros músicos envolvidos no movimento hip hop. “Falavam que eu tinha que cortar palavras, ser menos agressiva! Me falavam: “Você está brigando com as pessoas, não adianta. Isso era antigamente. “Ninguém vai comprar CD de uma mina gângster”. Eu falava: Mas a Lil Kim, a Missy Elliot, a Queen Latifah fazem sucesso lá fora e elas não são pop! “Ah, mas é lá fora, aqui ninguém quer ver! Você não viu a Negra Li?”. E os caras me colocavam coisas que realmente estavam acontecendo, mas eu pensava: não é possível que ninguém vá ouvir uma mina cantando a favor do aborto! Ninguém nunca vai me dar atenção se eu falar que não quero ser encoxada no trem?

Outra questão que Hansen levanta é a escassez de letras de rap que abordem a homofobia. “Como ele [o rap] é machista, é óbvio que homofóbico ele também vai ser, porque parece que machismo e homofobia são amigos, andam de mãos dadas”, afirma.

E se ser mulher no Brasil é complicado, ser negra e homossexual tornam as coisas mais difíceis ainda, como explica a rapper: “Uma coisa é ser mulher, porque você já fica em segundo lugar. Quando se é mulher negra, fica no terceiro. Quando se é mulher, negra e lésbica, você vai lá pro quinto, sexto lugar”.

Para diminuir as desigualdades de gênero no rap, a MC propõe uma maior participação das mulheres no movimento. “Acho que, se vier mais mulheres tomando frente da coisa, a gente com certeza vai mudar um pouco a cara do rap. Temos que nos impor para que o mundo nos receba e nos dê respeito, não tem jeito. Na maciota, a gente não vai conseguir nada”, afirma.

Atualmente, a MC se dedica a militância se apresentando em shows, festivais e eventos LGBT e de direitos das mulheres.

A rapper mantém um perfil no Soundcloud, onde é possível ouvir e baixar gratuitamente boa parte de suas músicas. Para acessar o site, clique aqui.


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