6.3.15

Relacionamentos Lésbicos Abusivos




No Brasil não existem pesquisas ou estatísticas oficiais sobre a violência domestica entre casais lésbicos, pois os estudos sobre esta temática apoiam-se na heteronormatividade, contribuindo para reforçar a invisibilidade da violência conjugal lésbica.

Muitas pessoas desconhecem que uma relação lésbica possa ser violenta e abusiva, de um lado porque existe a crença de que este tipo de violência só acontece em relacionamentos heterossexuais, onde o homem é o agressor, e por outro temos a normatização da violência contra mulheres em seus relacionamentos.

Quantas lésbicas não tiveram que ouvir de suas parceiras que sua roupa era curta demais para sair, que não podiam sair sem que ela estivesse junto? Quantas não tiveram suas senhas de redes sociais solicitadas para que a outra pudesse vigiar seus passos na internet? Quantas não tiveram que pedir autorização para sair? Quantas não consideram este tipo de comportamento normal? - Fiquem atentas, pois estes são sinais de que você está em um relacionamento abusivo que pode desencadear uma série de violências.

A situação mais comum de relacionamento violento é aquela em que o namoro começa de forma amorosa e carinhosa, mas em um dado momento a necessidade de poder e controle sobre a outra se torna intensa, motivando agressões verbais, psíquicas e até mesmo físicas.

A definição da violência doméstica como um problema heterossexual e as campanhas de educação voltadas apenas para heterossexuais fazem com que lésbicas que se encontram em um relacionamento abusivo tenham dificuldade em definir e aceitar seus problemas de relacionamento, além disso, a falta de modelos saudáveis de relacionamentos entre mulheres leva a vítima a se convencer de que este comportamento é normal.

Relacionamentos abusivos são armadilhas perigosas, pois coloca a mulher em uma situação difícil de sair, tornando-a dependente financeira ou emocionalmente, seja por fazê-la sentir culpada ou ainda aquela esperança de que se possa “salvar” o namoro ou casamento.

Apesar de se tratar de um problema sério a lesbofobia faz com que as vitimas não tenham acesso a programas de apoio que necessitam para sair deste tipo de situação. Sem campanhas de informações necessárias, aliadas ao silêncio da comunidade lésbica em discutir o tema, muitas vítimas acabam não reconhecendo que estão em um relacionamento violento e consequentemente não buscando a ajuda devida.

O reconhecimento e visibilidade lésbica é urgentemente necessário, pois dá  voz à luta para reconhecer as relações onde exista violência doméstica, desenvolvendo pesquisas e serviços para esta população desamparada de serviços de apoio.


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9 comentários :

  1. ótimo texto!!! Sobre este assunto, exatamente há uma indicação de leitura excelente que é: LÉSBICAS NO DIVÃ. Autores: Jorge Paulete Vanrell e Nilzeth Lourenço de Alcântara. Esta obra dentre outros assuntos lésbios, perfis ou até mesmo esteriótipos ( o que eles não gostam de tachar), falam sobre agressões, pressões manipulações e comportamentos, não convencionais no mundo lésbico. UMA LEITURA QUE VALE A PENA

    Editora JH Mizuno.

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    1. Ótima dica Susan. Já vou procurar o livro. Este é um assunto pouco falado,ter referencias sobre,é sempre importante.

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    2. Que bacana, leitura muito important ja vou procurar este livro para ler..obrigada

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  2. Nossa parabéns!!! Eu vivo matutando isso a anos! Obrigado pela leitura

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    1. Disponha Samy!
      Nós é que agradecemos <3

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  3. Isso é verdade sou casada cm uma mulher ela vive mim pondo pra baixo ja mim agredio uma só ves mas tem palavras q a pior q um tapa ....

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    1. Se o relacionamento chegou a este ponto acho que você deveria repensar se deve continuar nele. Alimentar relações que nos machucam só nos jogam cada vez mais pra baixo. Caso precise conversar sobre nos envie um email: admdominiopessoal@gmail.com

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  4. Tenho 40 anos e há pouco mais um ano conheci uma mulher 5 anos mais velha que eu, num site de relacionamentos. Ela se mostrava uma pessoa bacana, prestativa, bom papo, comunicativa, admirada pelos amigos e alunos, enfim, me apaixonei facilmente. Passados 5 meses, ela veio morar comigo e meus dois filhos - sim, admito que fui precipitada, já que ela morava em outra cidade e a relação era de final de semana e feriados. No início foi complicado, como em todo relacionamento homoafetivo: aceitação dos filhos, dos familiares... mas em pouco tempo ela conquistou a todos. Uns dois meses depois, começaram os abusos. Ofensas, humilhações, proibições, agressões psicologicas e físicas. Eu dizia que queria romper porque nao suportava mais aquela situação e ela se redimia, dizia que nao iria mais acontecer e dava um jeito de me culpar pelas "punições". Faz pouco mais de duas semanas, coloquei um basta na relação. Ela, inconformada, agrediu-me de tal maneira que ainda tenho sequelas no olho esquerdo por causa das pancadas na cabeça (inflamação decorrente de derrame ocular com perda parcial da visão ). Embora tenha sofrido ameaça contra a integridade física dos meus filhos e dos meus pais, socorri-me da Lei Maria da Penha, obtive medida protetiva e consegui fazer com que ela saísse do meu apartamento. Meus filhos e eu ainda tememos reencontra-la e ela cumprir com as ameaças. Hoje entendo perfeitamente a situação de mulheres que vivem relacionamentos abusivos por anos ou até por toda a vida. O medo, a falta de apoio, algumas, a dependência financeira... ninguém pode julgar ninguém. O que se precisa é observar, reconhecer, denunciar e apoiar.

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  5. Parabens Helen, otimo texto vivo em um relacionamento lesbico abusivo, nao sei o que fazer pq a amo. Com essa leitura tenho mais certeza ainda que esse relacionamento so me faz mais mal..obrigada por compartilhar este texto

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