19.8.15

Conheça o filme que te levará a uma viagem erótica e envolvente em direção ao passado

O diretor Peter Strickland apresentou durante o segundo dia do Festival Internacional de cinema d”autor de Barcelona deste ano, um dos títulos mais distintos do evento, o filme “The Duke of Burgundy”, que conta a história de Cynthia (Sidse Babett Knudsen) e Evelyn (Chiara D'Anna) e seu amor sado masoquista.

filme lésbico
Cynthia e Evelyn passam os dias juntas à natureza, contemplando os insondáveis mistérios do mundo sensível em agradáveis passeios de bicicleta pelo campo. No centro deste universo estão às borboletas, maravilhosos insetos de asas delicadas, rainhas polinizadoras do doce desejo libertino.

Em The Duke o telespectador é introduzido a um tipo de filme cápsula que nos leva a um espaço de fantasia que se desenvolve através da inesgotável imaginação do casal, nos leva a entender que o erotismo ali impresso vai além da busca pelo prazer, mas como uma necessidade de amar e se sentir amada.

Quanto mais o filme se fecha nos interiores luxuosos da enorme mansão onde o casal se afunda no infinito prazer erótico, mais expressivas se tornam as possibilidades de uma existência abstrata, submissa ao impulso de passar para o lado de lá das aparências.

The Duke of Burgundy
Longe de fazer um filme clichê de fantasias masculinas a cerca da relação lésbica, o diretor busca capturar a vida emocional das personagens e nuances que diferenciam não só no papel sado masoquista, mas as motivações e frustrações em se tornar uma submissa frágil, enquanto a outra vai jogar suas cartas como uma dominatrix espirituosa, para se descobrir cansada e indulgente para sua amante.

Nos momentos em que Cynthia e Evelyn se recolhem no casulo da mansão, com os interiores soturnos e a opulência do ambiente faz lembrar As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (comparação, aliás, duplamente justificada dado o universo feminino de ambos os filmes), torna-se evidente a precisão da encenação de Strickland.

The Duke of Burgundy
As cenas evocam o cinema europeu da década de 70, com uma estética retro evidente, o filme não apresenta indicadores de passagem de tempo dando a impressão de uma viagem ao passado.

Não há sequer um homem em cena, e ao terminar de ver o filme, você percebe que a presença destes é realmente desnecessária em um mundo criado para que essas mulheres pudessem se amar livremente.

Ao longo de 2014, The Duke of Burgundy (que recebe este nome em homenagem a uma borboleta, inseto estudado pelas personagens) foi exibido em diversos festivais em todo o mundo, como os de Toronto, Londres, Filadélfia, Viena e Turim. Ainda não há previsão de estréia do filme nos cinemas brasileiros, mas nós já o disponibilizamos AQUI, para que você também possa se envolver nesse misto de erotismo,prazer e amor oferecido pelo filme.



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