3.9.15

SUS lança campanha com o objetivo de melhorar o atendimento às lésbicas bissexuais

Umas das pautas levantadas pelas lésbicas durante a Semana da (In) visibilidade Lésbica foi à ausência de políticas públicas de saúde sexual para mulheres que se relacionam sexualmente com outras mulheres.


Apesar das campanhas de saúde sexual brasileiras ser referência no mundo inteiro, ela é falha quando o assunto é a saúde da mulher lésbica, por serem exclusivamente pautadas nas relações sexuais que envolvam o falo. Por este motivo, provavelmente você nunca viu ser distribuído camisinhas femininas nos postos de saúde, nunca viu campanha na TV falando de prevenção no sexo lésbico durante o carnaval, e com certeza nunca abriu um site de notícias falando sobre estatísticas das DST’s que acometem mulheres lésbicas, sua forma de contágio e/ou tratamento. Como vocês podem perceber, além de todas as outras esferas sociais, também somos invisíveis no que se refere a políticas públicas para preservação de nossa saúde.

Entretanto após a campanha “Políticas de Equidade. Para Tratar Bem De Todos”, lançada nesta quarta feira (2), este cenário parece estar mudando em nosso país. O foco da campanha está na atenção à saúde das mulheres lésbicas e bissexuais e tem a parceria das Secretarias Políticas para Mulheres (SPM) e de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH).

Saúde lésbica

A campanha, cujo slogan é “Cuidar da Saúde de Todos. Faz bem para a Saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais. Faz bem para o Brasil”, tem como objetivo sensibilizar os trabalhadores, gestores e profissionais de saúde que atuam no SUS para oferecer um acolhimento e atendimento com escuta qualificada e humanizada às mulheres lésbicas e bissexuais.

A campanha oferece informações para que os trabalhadores e profissionais de saúde possam prestar atendimento qualificado e que considere as necessidades específicas desta população, de modo que ela se sinta acolhida nos serviços de saúde.

Serão distribuídos 100 mil cartazes nos órgãos de saúde. A ideia é alterar a concepção dos atendimentos ginecológicos embasados no pressuposto de que a vida sexual de todas as mulheres é heterossexual ou ligada à reprodução. Existe também a crença equivocada de que as mulheres lésbicas não têm risco de desenvolver cânceres de mama e de colo de útero e na oferta de anticoncepcionais e preservativos, sem antes conhecer a vida sexual delas.

— Essas ações são importantes para que as mulheres possam ser acolhidas no SUS de forma a poderem expressar as suas necessidades e receber orientações sobre cuidados com a saúde. A ideia é garantir atendimento às mulheres lésbicas e bissexuais, em suas diversas formas de vivenciar a sexualidade, ou seja, com respeito à orientação sexual. Isso requer a colaboração de profissionais de saúde, movimentos sociais e da sociedade como um todo — destaca o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Para a enfermeira militante Carmem Lúcia, as lésbicas são invisíveis na sociedade. “As pessoas pensam que todos são heterossexuais. Se você não afirma sua lesbianidade, não têm direitos ou cuidados específicos”, disse.

Confira a apresentação da Campanha AQUI.


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