29.2.16

A violência contra as mulheres que ninguém vê

A violência contra mulher está enraizada em nossa sociedade, e está ligada a relações de classe, etnia, gênero, poder e orientação sexual.


A redação do ENEM realizado neste domingo (25) teve como tema 'a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira’, o que gerou alvoroço nas redes sociais, seja do movimento feminista que vibrou por ter uma de suas pautas mais importantes sendo tratadas em uma prova de tamanha importância como o ENEM, ou pelos machistas de plantão que além de reclamar muito nas redes sociais, acusaram os elaboradores da prova de “feminazi” e acabaram ganhando até site: "Machistinhas do Enem".

É impossível negar a importância e o impacto que o ENEM 2015 trouxe não só para o movimento feminista, mas também para pessoas que nem sequer sabem o que feminismo significa, afinal de contas o tema tratado é algo que infelizmente é comum para mulheres, que começam a ser agredidas de inúmeras formas desde a infância pelo simples fato de terem nascido mulheres.

O Exame Nacional do Ensino Médio fez com que aproximadamente 5,7 milhões de candidatos refletissem sobre a violência contra a mulher em nosso país, e muitas outras milhões de pessoas que mesmo sem fazer o exame foram para as redes sociais para falar sobre o tema. Foram milhões de pessoas discutindo os maus tratos sofridos por mulheres em nosso país, discutindo a Lei Maria da Penha, discutindo não só como essa violência nos afeta, mas as maneiras de evitá-la, de denunciá-la. O ENEM deu voz a milhões de mulheres que sabem desde cedo que estão fadadas a serem violentadas de inúmeras formas pelo patriarcado. 

A violência contra mulher está enraizada em nossa sociedade, e está ligada a relações de classe, etnia, gênero, poder e orientação sexual, e fazer recortes com base nessas relações é preciso para que se consiga compor um retrato real das mulheres expostas à violência,e poder combatê-la de fato em sua raiz.


Ao buscar estatísticas sobre o assunto, nota-se que o recorte sobre orientação sexual muitas vezes não é feito, e mais uma vez nos deparamos com a cruel realidade de que mulheres lésbicas são invisibilizadas pelo sistema. Fazer recorde sobre orientação sexual quando o assunto é violência contra o gênero feminino, não é fazer olimpíada de opressão, como muitas pessoas vem pontuando quando lésbicas reclamam sobre invisibilidade neste sentido.

A ausência de dados estatísticos consistentes sobre violência contra a mulher lésbica somado a fato de que campanhas sobre o tema são voltadas apenas para o público heterossexual, cooperam para o fato de que mulheres lésbicas que se encontram em situação de violência tenham dificuldades de definir os problemas a que estão expostas, seja no relacionamento, na sociedade ou em família. Além disto, existe a dificuldade em que a vítima encontra em denunciar a violência sofrida em relação a sua sexualidade, que muitas vezes não é revelada, seja por medo de julgamentos lesbofóbicos, ou até mesmo por falta de informações de que leis como a Maria da Penha, defendem também mulheres lésbicas agredidas por suas parceiras por exemplo.

A invisibilidade mata mulheres todos lésbicas todos os dias, e isto sequer é noticiado, fazer com que este quadro mude é urgente. Portanto o Grupo DoMiNio PeSsOaL elaborou uma pequena pesquisa sobre violência contra a mulher lésbica,para que esta mudança,este registro sobre todas as violências a que somos expostas sejam de fato estudados,e nada mais justo de que isto comece sendo feito pelas próprias lésbicas.

Pretendemos a partir desta pesquisa entender melhor como esta violência vem acontecendo em nosso país, levantar dados estatísticos e consistentes que nos possibilite embasar ações coletivas e afirmativas para agirmos na raiz do problema.

O Grupo está aberto a dialogar com suas leitoras e seguidoras, buscando idéias, projetos e parcerias para que possamos mudar não só o quadro de invisibilidade quando o assunto é violência, mas como também ajudar a eliminá-la do dia a dia daquelas que as sofrem.

O pontapé inicial para este Projeto é o formulário de pesquisa que poderá ser respondida por mulheres lésbicas e bissexuais de maneira anônima e rápida. Além de respondê-la você poderá compartilhar o questionário com suas amigas, conhecidas, companheiras, etc. para que elas respondam também. Quanto mais dados conseguirmos levantar, mais consistente será a pesquisa.

Você também poderá contribuir com sugestões, propostas de engajamento em prol da proteção e auxilio a mulher lésbica, bem como ações afirmativas. Basta nos enviar um email por AQUI . 


Pretendemos a partir desta pesquisa entender melhor como esta violência vem acontecendo em nosso país, levantar dados estatísticos e consistentes que nos possibilite embasar ações coletivas e afirmativas para agirmos na raiz do problema.

Para preencher o questionário da pesquisa acesse: FORMULÁRIO


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