16.11.15

Quantas lésbicas negras você conhece?

Quem são as lésbicas que lhe vem à cabeça quando lhe perguntam sobre mulheres importantes na história? – Provavelmente você não pensou em nenhuma.

E se mudarmos a pergunta para: Quais são as lésbicas que você conhece que deixaram sua marca na história? – Melhorou um pouco não é mesmo? Aposto que nomes como Ellen DeGeneres, Cássia Eller, Sappho, Ellen Page, dentre outras, serão lembrados. Mas voltando aos questionamentos, quantas dessas lésbicas consideradas importantes em algum momento histórico, que lhe vieram à mente são negras? Quantas lésbicas negras compõem aquelas listas de sites e blogs LGBT, sobre lésbicas famosas e/ou importantes na história? Faça uma rápida pesquisa no Google e você verá que o número é absurdamente inferior ao número de lésbicas brancas.

A mulher lésbica é invisível aos olhos do patriarcado, e quando ela é negra isso se torna um agravante, pois passa a ser invisível também nos espaços ditos exclusivos, tendo sua existência apagada, além de sofrer a tripla opressão: Racismo, lesbofobia e misoginia, um verdadeiro combo para a invisibilidade. Isto explica o porquê dessas mulheres raramente aparecerem na listas das lésbicas mais famosas, as mais influentes, as que fizeram história, ou até mesmo a lista das mais belas lésbicas do mundo... Caso ainda tenha duvidas sobre isto, repita o teste do inicio deste texto com algum (a) conhecido (a), ou faça uma pesquisa rápida na internet.

Lésbicas negras existem, porém tiveram seus nomes esquecidos na história, ou sua identidade apagada pelo simples fato de serem lésbicas e negras. E já que o mundo se nega a contar nossas histórias, que tal começar por nós mesmas a mudança deste cenário de invisibilidade e opressão?

Montamos uma lista com algumas lésbicas que conseguiram se destacar na história para apresentar a vocês neste texto, entretanto são muito poucas, comparado ao grande número de heroínas e guerreiras reais do dia a dia que sobrevivem e resistem à tripla opressão de ser mulher, negra e lésbica. Queremos deixar um convite para que vocês listem e nos envie as histórias dessas mulheres, ou até mesmo a sua própria história. Venha conosco começar a registrar nossa marca na história do mundo!

Alice Walker


Alice Malsenior Walker, escritora e feminista sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o ‘apartheid’ e contra a mutilação genital feminina em países africanos. alcançou fama mundial com ‘The Color Purple’, premiado com o ‘Pulitzer’, e dando origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, com a atriz Whoopi Goldberg no papel principal e traduzido no Brasil como ‘A Cor Púrpura’. Em 2006, Alice falou de sua relação amorosa com a cantora Tracy Chapman durante uma entrevista para o ‘The Guardian’.

Angela Davis


Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filósofa socialista que alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da recente história dos Estados Unidos.

O raivoso Louis Farrakhan, chefe da Nação do Islã que organizou a Marcha do 1 Milhão em 1995, acusou Angela de ser lésbica. Por isso não. Em 1997, na revista Out, ela declara: "Sim, sou lésbica".

“Ma” Rainey



A cantora e pianista Gladys Bentley, se apresentava de smoking e atraiu uma multidão para o Clam House no Harlem na década de 1920.

Quando Gertrude “Ma” Rainey – conhecida como “A mãe do blues” – cantou “é verdade, eu uso colarinho e gravata… Falo com as garotas como qualquer cara velho”, em Prove It on Me, de 1928, ela estava flertando com o escândalo, desafiando o ouvinte a flagrá-la num caso lésbico. Pode não parecer grande coisa para nós hoje, mas na época, buscar relações homossexuais poderia levar a pessoa para a cadeia.

Audre Lorde





Ela mesmo se declarava negra, lésbica, mãe feminista, poeta, guerreira, e com essas identidades a Sra. Lorde lutava pelas injustiças contra os marginalizados durante meados do século 20 através dos seus venerados trabalhos literários. Embora vários tentassem silenciá-la, ela abraçou sem medo as suas identidades.

Barbara Jordan


Em 1972, Jordan, nascida e crescida em Houston, Texas, tornou-se a primeira negra do Sul dos Estados Unidos a ser eleita para a Câmara de Representantes. Embora ela nunca tenha se assumido publicamente, o seu obituário no jornal Houston Chronicle mencionou o seu relacionamento de 20 anos com Nancy Earl.

Gladys Bentley




Cantora e pianista norte americana. Chegou à Nova York por volta dos 16 anos e criou-se sozinha nos anos 20. Conseguiu emprego como pianista em uma casa noturna onde só estavam interessados em contratar “um músico que seja homem”, ao que ela teria retrucado: “é um bom momento para começarem a empregar mulheres então”.

O talento ao piano e a voz poderosa conquistaram um produtor da Broadway, que lhe arranjou um contrato para gravação de compactos. Tempos depois, Gladys conquistou o público do Harlem e passou a estrelar shows solo. Foi aí que ela levou ao palco sua persona carismática, com referências visuais consideradas “masculinas” que a tornaram pioneira entre as butch dykes.

Ao contrário de outras performances da época, Gladys não se pretendia homem, tampouco ridicularizava a condição feminina no modo como se vestia. Fazia-o de maneira ambígua, buscando o choque e a confiança que a tornavam um fenômeno sobre o palco.

Dedicava suas letras às mulheres por quem se apaixonava e flertava abertamente com as moças da platéia, recusando se sujeitar à posição esperada de uma mulher negra naqueles tempos.


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