3.1.16

Agenda Lésbica 2016

Este texto foi escrito pela jovem mulher negra,lésbica,feminista e estudante de Geografia, Jacqueline Oliveira, no intuito de fazer um chamado a toda comunidade lésbica brasileira.



Quinta edição da Caminhada Lésbica em Brasília
 Foto: José Cruz/ABr
É certo que cada lésbica tem sua forma de militância, e mesmo aquelas que não são militantes só o fato de existir enquanto lésbica já é uma militância e afronta ao sistema hetero-patriarcal vigente. Neste texto apresento alguns caminhos que em 2016 podemos percorrer para obtermos avanços em nossa luta. 

2016 é o ano de dois principais eventos que envolvem diretamente a comunidade lésbica. É ano da III Conferência Nacional LGBT, e também ano do IX SENALE - Seminário Nacional de Lésbicas, este que na plenária final do SENALE 2014 teve seu nome alterado para SENALESBI, passando a incluir também as mulheres bissexuais. 

Muitos Estados já realizaram a etapa estadual da Conferência LGBT, onde se retiraram as/os representantes do estado para participar da etapa nacional. As conferências são importantes espaços para formulação de propostas de políticas públicas, no caso para a população LGBT. É fundamental que nós lésbicas participemos desses espaços pautando as especificidades da mulher lésbica e dizer quais nossas demandas, como por exemplo na área de saúde reivindicar métodos e orientações sobre a prevenção de DST'S no sexo lésbico, e atendimento ginecológico sem ser pautado na lógica do sexo hétero.

O Piauí é o Estado eleito para sediar o IX SENALE, este que está sob coordenação do Grupo Matizes e a princípio tem data marcada para 10 a 12 de junho de 2016. O SENALE é o maior espaço de deliberação do movimento lésbico brasileiro. É onde tem se intensos debates e atualização da agenda lésbica do país. 

Mas para além desses dois importantes eventos, a promessa é que neste ano seja colocado no plenário de votação da Câmara Federal projetos totalmente equivocados e que se aprovados terão efeitos desastrosos na vida de nós lésbicas como é o caso do Estatuto da Família, Dia do Orgulho Heterossexual, Criminalização da "Heterofobia" e o PL da "Cristofobia". Ou seja, a luta como em 2015 será também para barrar retrocessos.

E como já consagrado no calendário lésbico brasileiro, temos o 19 e 29 de agosto, Dia do Orgulho Lésbico e Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, respectivamente. Datas que se aconselha toda militância a realizar atividades para dar visibilidade as nossas pautas. Durante o ano também aconselha-se a organização de festivais culturais, encontros, formações, eventos esportivos, pedidos de audiências públicas e confecção de materiais etc que abordem a questão lésbica. É claro que a efetivação disso tudo ou pelo menos boa parte depende muito da conjuntura política de cada município e estado bem como do nível de organização da comunidade lésbica nessas localidades. 

Como sou daquelas que acredito que só a luta muda a vida é que nossa organização é uma das formas de alcançarmos as mudanças que tanto almejamos, reforço a necessidade da gente se organizar e assim incidirmos conjuntamente nos diferentes espaços. No mais, devemos utilizar de todos os meios para disseminar nosso repúdio à lesbofobia, à heterosexualidade compulsória (HC), à misoginia, ao racismo e capitalismo. 

Que em 2016 mais meninas e mulheres sejam libertas da HC e enxerguem na lesbiandade uma forma possível de se relacionar afetivo, emocional e sexualmente. Que caminhemos rumo a nossa autonomia financeira. Que possamos ter relacionamentos saudáveis e intensos. Que seja um ano com muito amor, resistência e afeto sapatão para todas nós. 

Existimos e resistimos. É nós por nós!


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2 comentários :

  1. Tem também a 14ª edição da Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo acontecerá no dia 28 de maio às 14h no Largo do Paissandu, SP :)
    https://www.facebook.com/events/1036274776444229/

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    1. Obrigada pela dica Adaiane. Pretendemos divulgar todas as Caminhadas de Lésbicas e Bissexuais pelo país.

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