13.1.16

Porque precisamos falar de estupro corretivo?

Infelizmente notícias sobre violência contra mulheres são uma constante nos sites de notícia, TV, rádio e demais meios de comunicação. Afinal de contas em nosso país a cada hora, 150 mulheres são agredidas e a cada 10 minutos uma delas é estuprada. 


Os números são chocantes não é mesmo? Porém o mais chocante é ler notícias como a veiculada nesta terça feira (12) no G1, em que uma adolescente de 14 anos foi vítima de uma tentativa de estupro por parte do próprio pai, e que este homem ainda está em liberdade pelas ruas colocando não só a vida da própria filha em risco como de outras mulheres.

Falar sobre estupro incomoda,fere,machuca principalmente para nós mulheres que somos as principais vítimas desse crime bárbaro, correspondendo a 89% das vitimas de estupro no Brasil segundo o Ipea,e o índice ainda aumenta para 94% se você tiver de 14 a 17 anos.

Os índices apresentados pelo Ipea são mais do que suficientes para começarmos a falar sobre estupro em nosso país. Quando digo que devemos falar sobre estupro, não é apenas comentar notícias revoltantes como a da garota de 14 anos de Araguaína, falar sobre estupro é importante para que se encontrem formas de acolher e proteger as vítimas, para que elas consigam identificar comportamentos suspeitos e abusivos, que saibam como se proteger deles e denunciá-los. Falar sobre estupro é importante para que esses índices lamentáveis caiam, e que não seja preciso se deparar com notícias como essa.

Vários estudos são feitos em relação à violência contra mulher, entretanto em sua maioria não apresentam dado algum em relação à mulher lésbica. A garota de Araguaína não foi estuprada só por ser mulher, mas também por ser lésbica. Seu abusador tentou estuprá-la usando-se do discurso de que iria fazê-la virar mulher.

“Vou te fazer virar mulher”, esta foi à frase utilizada para justificar o estupro de uma adolescente, infelizmente milhares de lésbicas ouvem isto todos os dias, pelo menos uma vez na vida, uma mulher lésbica já ouviu que é assim por falta de um homem ou que ela ainda não tinha experimentado um cara que “fizesse direito”, ou a clássica: “vou te fazer virar mulher”. Essas frases que muitos julgam inofensivas nada mais são do que fruto da cultura de estupro, que afirma que mulheres merecem ser estupradas e que lésbicas além de merecer, PRECISAM de um estupro corretivo para virarem mulheres.

Precisamos falar de estupro corretivo porque a sociedade endossa o discurso dos abusadores, ela os defende quando dizem que a mulher pediu para ser estuprada, quando questiona o tamanho de suas roupas,quando duvidam de seu depoimento,quando afirmam que a sexualidade da vítima é irrelevante em caso de abuso sexual, quando questionam se uma garota que já teve um envolvimento amoroso com outra adolescente estaria mesmo falando a verdade ao acusar o pai de ter tentado estuprá-la, ou então quando fazem comentários como os da matéria do G1.






Precisamos falar sobre estupro corretivo porque vivemos em uma sociedade que fecha os olhos para milhares de mulheres lésbicas que são abusadas sexualmente pelo simples fato de serem lésbicas, banalizando seu sofrimento e existência.

Não podemos nos calar. Denuncie!

A Secretaria de Política para Mulheres tem um disque-denúncia que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana. Basta discar o número 180 para ser atendida. As denúncias são recebidas e encaminhadas à Segurança Pública e ao Ministério Público de cada Estado. Depois, os atendentes orientam a qual delegacia ou serviço a mulher precisa procurar de acordo com sua necessidade. O serviço atende todo o Brasil.


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2 comentários :

  1. Neguem sabe o sofrimento que passamos e logo vçs fecham os olhos pra nós que precisamos mais que tudo de apoio nessa hora.....

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    1. Sim,apoio é essencial. Afinal de contas esta é uma das piores violências a que nós mulheres estamos expostas.

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