5.1.16

Sobre roupas que não tem gênero e mulheres não subversivas

Circula na internet fotos do ator Jaden Smith com roupas “femininas” para uma campanha da Louis Vuitton, inclusive o rapaz já é conhecido por não se importar para conceitos de feminino ou masculino na hora de se vestir. Já se tornou comum o filho de Will Smith ser fotografado várias vezes com saias e vestidos sem se importar com o senso comum, sendo elogiado por editoriais de moda por estar transgredindo o senso comum.


Subverter o conceito de feminino e masculino, aos poucos vem se tornado algo mais comum e divulgado pela grande mídia, prova disto foi à grande repercussão do comercial que incluiu um garoto brincando com uma Barbie, fato inédito, após 50 anos de existência da boneca. Outro caso dessa subversão masculina foram as barbas floridas lá em 2014. Lembram-se?

Sem sombra de dúvidas acontecimentos como os citados a cima são um grande avanço para a sociedade, visto que desde que nascemos somos limitados a coisas de meninos e coisas de meninas. Entretanto é notório que estes conceitos de gênero atingem negativamente muito mais meninas do que meninas.

Desde pequenos homens são ensinados a serem cientistas, engenheiros, advogados, estrategistas etc. Enquanto para as mulheres estão reservadas as brincadeiras e brinquedos que nos ensinam a cozinhar, lavar, e cuidar de bebês. Colocar garotos em um comercial de bonecas é algo realmente fantástico, afinal eles poderão crescer e se tornarem pais, porque não treiná-los? Agora imagine colocar meninas em comerciais de carrinhos, transformers? Imagina começar a ensinar que elas também podem construir criar e serem super heróis fodásticas também. O quão subversivo seria ensinar desde cedo que meninas não estão limitadas apenas a tarefas domésticas e maternais?

Quando o assunto é vestuário, homens que vestem saia e enfeitam suas barbas com flores são chamados de subversivos, divos, lacradores entre outros adjetivos pós modernos, enquanto mulheres que desafiam e transgridem a feminilidade são questionadas se querem virar homens ou morrer sozinhas. Converse por cinco minutos com uma lésbica butch (bofinha, dyke, tomboy, etc. e tal) e comprove.

Os editoriais de moda que falam sobre mulheres vestindo roupas consideradas masculinas geralmente apresentam modelos dentro do padrão de beleza vigente nas passarelas, ou seja, nada realmente novo sob o sol.

Os mesmos veículos de comunicação que ovacionam Jaden Smith por usar vestidos criticam e fazem chacota com mulheres como a dupla de irmãs Pepe e Neném que além de lésbicas e negras, não fazem a mínima questão de performar feminilidade.

Quantas vezes você mulher não teve que escutar frases como estas:

“Tudo bem ser lésbica, mas não precisa se vestir como um garoto.”
“Você não se depila?! Que coisa nojenta!”
“Se continuar a se vestir assim nunca vai encontrar um namorado.”
“Você se veste assim, porque quer ser homem?”

Frases como estas são apenas uma amostra da triste realidade de que para a sociedade homens que vestem saias ou brincam de bonecas são considerados subversivos, enquanto mulheres que rejeitam feminilidade foram no passado queimadas em praça pública, exiladas, internadas nos manicômios em condições sub-humanas, e hoje em dia são motivos de chacota,agressões e rejeição.

Aplaudir homens de barba florida não te faz uma pessoa melhor enquanto para você estiver tudo ok, as butch serem motivo de piada.


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