4.5.16

#52FilmsByWomen: Pariah

“Para onde voava o pássaro sem patas, encontrava árvores sem galhos.”

Com a citação de Audre Lorde inicia-se Pariah, o melhor filme que assistimos até então no desafio #52filmsbywomen.
                                                                                            
Pariah é uma obra semi-biográfica de sua idealizadora, Dee Reese, que o Sundance Institute decidiu transformar em filme depois de assistirem a um material que ela tinha filmado para a sua tese na Universidade de Nova Iorque (sob tutela de Spike Lee).

O drama conta a história de Alike, uma adolescente negra moradora do Brooklin que tenta de todas as maneiras esconder de seus pais que é lésbica. A única pessoa com quem ela compartilha este segredo é com sua amiga Laura, que é abertamente lésbica e não se veste dentro dos moldes aceitos de feminilidade, e por esta razão a mãe de Alike desaprova a amizade das duas.

Somos apresentadas a Alike, enquanto ela se diverte com Laura numa boate streaper para lésbicas. Vestida com roupas consideradas de “garotos”, a adolescente demonstra sua timidez ao se juntar com as amigas que assistiam animadas a performance de uma dançarina,ou até mesmo no flerte com outras garotas dentro da boate. É como se ela pertencesse aquele mundo, mas tivesse medo de se aprofundar nele.

No caminho de volta para casa Alike espera Laura sair do ônibus que as leva para casa e começa a tirar o boné deixando os cabelos à mostra, colocando brincos de maneira que ficasse com uma aparência mais “feminina”. Neste momento percebemos que a adolescente vive sua sexualidade em segredo.

A melhor definição para Pariah seria uma pessoa sem status, um membro rejeitado pela sociedade, ao acompanhar a história da jovem Alike, percebemos que não haveria titulo melhor para este filme. Filha mais velha de uma família negra tradicional e mãe religiosa, Alike sofre por não desempenhar o papel social que lhe é designado.

Além da reflexão sobre o não pertencimento na sociedade enquanto lésbica, o filme de Resse aborda a questão da rejeição enfrentada por parte das mulheres lésbicas em relação a garotas que se relacionam com elas apenas longe dos olhos da sociedade, mas que assumem apenas relacionamentos heterossexuais. O filme não tenta explicar os motivos deste “fenômeno” enfrentado não só por Lee (Alike), mas também por milhares de lésbicas pelo mundo a fora, mas foca no sofrimento e isolamento que isto causa a essas mulheres.

Lee enfrenta muita dor, rejeição e sofrimento durante a trama, mas se revela como uma mulher forte e uma escritora talentosa que fez suas escolhas e não se arrependeu delas. Todas as dificuldades pelas quais passou foram moldando-a de forma que tivesse a força necessária para trilhar o caminho árduo que lhe aguardava, onde ser lésbica e negra é resistir a cada segundo.

 “Diga à mamãe que Deus faz as coisas certas.”


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