27.7.16

Estudantes da Califórnia terão aula sobre história do movimento LGBT nos EUA

Enquanto no Brasil pais se preocupam em como impedir seus filhos de “virarem” homossexuais ao assistirem beijos entre pessoas do mesmo sexo em horário nobre da TV, alunos da rede pública da Califórnia terão aulas sobre a história do movimento LGBT nos EUA.

No dia 14 de julho o Conselho Estadual de Educação aprovou por unanimidade que alunos da rede pública na Califórnia deverão ter em sua grade curricular aulas sobre a historia do movimento LGBT desde o nível básico até o ensino médio.

A decisão do Conselho Estadual de Educação faz parte de uma reforma no currículo das disciplinas de História e Ciências Sociais, que traz o "estudo do papel das contribuições” de grupos minoritários, incluindo “lésbicas, gays, bissexuais e transgênero norte-americanos”.

As mudanças atendem à legislação aprovada em 2011, a Fair Education Act (“Ato de Educação Justa”, em tradução livre), que determina a inclusão da comunidade LGBT e de pessoas portadoras de deficiência à lista de minorias sociais cuja contribuição deve estar presente no currículo escolar. Já fazem parte da lista movimentos de mulheres, imigrantes, praticantes de diversas religiões e outros grupos.

Apesar da lei ter sido aprovada a 5 anos atrás, não havia sido implementada até o momento devido a tentativas judiciais para derrubá-la e a cortes orçamentários para compra de material didático.

Em entrevista à revista norte-americana The Atlantic, Don Romesburg, professor-associado e chefe do Departamento de Mulheres e Estudos de Gênero na Universidade Estadual de Sonoma, disse que as referências ao movimento LGBT serão agregadas ao currículo existente. Na segunda série, os estudantes aprenderão sobre a comunidade LGBT como sendo parte da diversidade sexual, enquanto na quarta série haverá menções a figuras históricas do movimento, como Harvey Milk. Já no ensino médio, serão abordadas as contribuições do movimento LGBT e, algum tempo depois, a luta pela igualdade de direitos dos LGBT dentro da história norte-americana.

Em comunicado, o grupo Equality California (Iguladade Califórnia), organização de advogados que representa causas da comunidade LGBT, elogiou a iniciativa e afirmou que as novas diretrizes captam “momentos essenciais na luta por igualdade, e a evolução de comunidades e identidades”.

Como já esperado grupos conservadores e contrários à lei argumentam que deveria ficar a critério da “família” decidir de que forma e em que idade a questão da orientação sexual será discutida com seus filhos.

O advogado Matthew McReynolds, do Instituto Justiça Pacífica, uma das organizações que se opunham à legislação, disse à AP que as famílias estão preocupadas com o fato de os currículos diminuírem a ênfase em figuras históricas e eventos importantes para abrir espaço para membros da comunidade LGBT.


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