4.1.18

Conheça Amora, um livro fora do armário.

O livro de contos protagonizados por mulheres lésbicas “Amora”, de Natália Borges Polesso, venceu o Prêmio Jabuti 2016, superando Luis Fernando Verissimo e Rubem Fonseca.

Caso esteja nos seus planos ler bons livros em 2018 temos uma ótima sugestão para você: O livro Amora que além de ser vencedor do maior premio da literatura brasileira em 2016 desbancando autores de renome como Luis Fernando Veríssimo e Rubem Fonseca, é escrito por uma mulher e repleto de contos lésbicos.

A escritora Natalia Borges Polesso publicou a sua primeira coletânea de contos, “Recortes para álbum de fotografias sem gente” (Modelo de Nuvem), em 2013 — um projeto inaugural e “um tanto cru em termos de técnica”, como ela mesmo definiu em entrevista para o Globo, que juntava vários recortes em prosa poética. Depois de um livro de poemas (“Coração na corda”), veio “Amora”, uma obra mais pensada. A ideia era trabalhar com protagonistas lésbicas, falando sobre relações de afeto, mas não de maneira erótica.

O livro contem 33 contos protagonizados por mulheres lésbicas, onde a autora tangencia o erotismo, mas não faz deste o cerne de seu livro, que esta muito mais preocupado em contar histórias de amor entre mulheres fugindo dos estereótipos e fetiches criados em histórias lésbicas escritas por homens. E o diferencial de Amora vem justamente pelo fato de ter sido escrito por uma mulher lésbica. 

— Personagens lésbicas não são uma novidade na literatura brasileira, mas parece-me que é um assunto pouco explorado. — Quero pensar que hoje existem mulheres escrevendo sobre isso e de todos os pontos de vista possíveis. E quero essas vozes em feiras e festas literárias. Quero dizer: estamos aqui escrevendo e (r) existindo. Disse a autora em entrevista ao Globo.

Os contos de Amora além de versam vários tipos de relação entre mulheres, desde curiosidades infantis por figuras enigmáticas ou estranhas até amores adultos e na velhice. E vai além, apresentando-nos o estupor e o medo das descobertas, o encontro consigo mesmo, sobretudo quando ele ocorre fora dos padrões, podendo trazer desafios ou tornar impossível seguir sem transformação.

Ver livros como o de Natália recebendo o mais alto prêmio de literatura do nosso país é gratificante, pois confere a nós mulheres lésbicas representatividade em um meio em que somos praticamente invisíveis.


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